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A História do Declínio e Queda do Império Romano

 


“A história é, de fato, pouco mais do que o registro de crimes, loucuras e infortúnios da humanidade.”


A quem quer que esteja lendo isso, seja bem vindo. Eu sou Nikkon, o administrador deste blog que provavelmente não vai ter muitos leitores, no entanto eu pouco me importo com isso pois apenas quero um lugar para falar sobre as coisas que eu gosto. Como introdução, desejo falar sobre um livro que leio já tem bastante tempo, A História do Declínio e Queda do Império Romano de Edward Gibbon.

Eu amo história, adoro estudar sobre gente que já morreu e civilizações que existiram no passado. Um dos meus temas favoritos nessa matéria, é sobre Roma antiga, eu acho fascinante tudo ao seu respeito, sua história, cultura, religião, suas táticas de guerra, sua filosofia. Se me pedissem para definir o povo romano, eu definiria como um povo que é independente e adora se gabar disso, que gosta de lutar para ter o que quer, que simplesmente faz o que quer sem se importar com os outros, que gosta de ser complexo e único, e como um povo cruel que gostou de estar acima de todos. Ler e estudar sobre Roma, desde seu inicio até seu declínio e eventual queda, é um tema tão interessante, e é ainda mais interessante ver todas as mudanças que se deram ao longo da história. A Roma de 27 a.c. não é a mesma Roma de 200 a.c. e nem a de 395 d.c., é incrível ver uma mesma civilização passar por tantas mudanças devido a vários fatores. Mas não foi por isso que fui atrás de Declínio e Queda do Império Romano, mas sim pois este livro serviu de inspiração para outros livros que eu amo, um deles sendo o famoso Fundação de Isaac Asimov. A importância histórica de Gibbon é inquestionável, mas o seu livro não é valioso como um documento histórico, falarei disso mais para frente, mas seu valor está presente em como ele influenciou a ficção, até por que estamos falando de um livro histórico com uma prosa que parece ter saído de algum romance do século 18. Eu particularmente acho interessante saber a história da queda de um império poderoso e Gibbon proporciona isso, mas de um jeito um tanto quanto "Imparcial" e sem medir palavras para insultos.






Antes de mais nada é importante falarmos do autor, no próprio livro o editor nos deu um breve resumo sobre ele, e eu irei "resumir o resumo", me sinto fazendo trabalho de faculdade. Ele nasceu na Grã-Bretanha e era filho de uma família relativamente rica, desde muito jovem demonstrou interesse em autores clássicos, em especial o romano Cícero, o próprio editor diz que o jovem Gibbon reescrevia as obras do Cícero em diferentes línguas como forma de estudar outras línguas e de absorver bem o conteúdo. Seu interesse pelo Cícero, um político romano muito famoso por seus ideais de estabilidade política, já nos faz ter uma ideia do que Gibbon pensava do período do Império, já que Cícero como um bom conservador romano odiaria a ideia de Roma nos poderes de uma única pessoa. Em dado momento de sua vida, se converteu ao catolicismo, mas isso o fez ter problemas com seu pai, que como um bom britânico era protestante, que no final obrigou o filho a se converter novamente na igreja britânica. Esse evento marcou o jovem Gibbon, que passaria a não ter uma visão tão positiva de religião e pessoas religiosas pelo resto de sua vida, e claro que isso é evidente em seu livro. O seu pai, por conta do incidente citado anteriormente, o enviou para a cidade de Lausanne com um tutor, de acordo com o próprio Gibbon ele nunca teria escrito o seu livro se não fosse o tempo nessa cidade. Eventualmente, se torna em um iluminista, um movimento ideológico que prega o fim do colonialismo e do absolutismo, e ele decide se aprofundar nos estudos da literatura, e em dado momento viaja para Roma, aonde teve a ideia de escrever seu livro. 


Uma das motivações do autor em escrever seu livro, estava ligado com seu período, no qual a Inglaterra estava lidando com a revolta nas colônias americanas, muito possivelmente ele acreditava que o Império Britânico estava começando a sofrer o mesmo que o Império Romano. O primeiro volume fora publicado em 1776 e o último em 1788, o seu livro causou certa controvérsia pois Gibbon não creditava os eventos da história a uma espécie de providência divina, como se Deus fosse o responsável por tudo, como também por suas pesadas críticas ao cristianismo e mais tarde, muitos anos mesmo após sua morte, evidências arqueológicas serem capazes de refutar alguns fatos ditos por Gibbon.



Ok, fim do momento wikipedia. Já aviso que a versão que me refiro é um resumo, até por que o livro original tem mais de 6 mil páginas e é separado em volumes, e não tenho dinheiro para comprar isso e muito menos a paciência de ler em PDF. Esse resumo têm meramente 600 páginas e é um ótimo resumo, ainda possuí a essência do original, que é ser uma crítica aos imperadores romanos. Mas apresento uma leve crítica em relação a quando ele irá comentar sobre o Império Romano Oriental, até por que é a parte mais longa da história do império, e para mim a mais interessante, mas muito fora resumido e jogado fora para que pudesse ser um livro curto. A edição também resumiu e cortou fora o capítulo a respeito da Dinastia Severa que é um capítulo da história do Império Romano que acho muito interessante.





Agora falando do livro em si, o que eu mais acho interessante é a prosa, como falei imagine um romancista do século 18 escrevendo um livro histórico, como resultado temos uma prosa muito boa e até artística, um exemplo disso é a frase que coloquei no início do texto. Outro aspecto interessante, é a imparcialidade do autor e suas ironias, como comentei ele é um iluminista que adorava Cícero, logo é notável que ele não tem uma visão positiva do período dos Césares e via a república de uma forma positiva, mas quem estuda Roma sabe muito bem de toda a corrupção e hipocrisia que era o período republicano. Apesar de eu achar muito interessante ,e de certa forma um aspecto super positivo, toda a opinião pessoal do autor, eu ao mesmo tempo a condeno, até por que não se pode fazer um documento histórico a base de opinião pessoal, até mesmo bons imperadores sofreram insultos pesados nas mãos de Gibbon. E mais uma vez, devo falar novamente que evidências arqueológicas e releitura de textos antigos foram capazes de refutar muito do que Gibbon escreveu. No entanto, acho bom como ele entra em detalhes sobre alguns aspectos que eu ao menos nem tinha noção, como por exemplo como o imperador Diocleciano introduziu características das monarquias asiáticas em Roma e isso mudou completamente a forma dos imperadores, que antes eram como uma espécie de cidadãos romanos de grau supremo e a partir de Diocleciano tornaram a forma de monarcas supremos. Mas ainda assim, o autor é europeu e é notável sua visão preconceituosa de outros povos e religiões, já li comentários falando de antissemitismo no livro original.




Algo que eu queria comentar também, é sobre os insultos do autor, sério foi o que mais me entreteve enquanto lia, ele realmente não poupa ninguém, seus comentários sobre cristianismo especialmente. Toda a sua ideologia iluminista está mais que presente em seus insultos, é visível que ele culpa inteiramente os imperadores pela queda de Roma, quem conhece Roma antiga sabe que o buraco é mais embaixo, e também como ele parece ter um ódio profundo sobre qualquer religião. Sua visão do evento aonde Constantino se converte no cristianismo é incrível, fica muito subtendido que ele odiou esse feito do imperador. Aproveitando para falar sobre a figura histórica, é incrível como uma das figuras mais importantes do cristianismo é uma das piores pessoas que já existiu na história.



No final, o que eu digo é, não leiam esperando um documento preciso sobre o império romano, mas sim leia esperando uma ficção bem escrita, eu acho a leitura de Gibbon um tanto quanto obrigatória para aqueles que desejam se aprofundar em Roma Antiga, mas apenas para caso a pessoa vá atrás dos verdadeiros fatos. É notável que Gibbon foca muito nos imperadores, já que eles são os grandes culpados da queda do Império, então é bom o leitor ir pesquisar sobre os imperadores quando Gibbon os cita. Declínio e Queda do Império Romano, é um documento histórico sobre o iluminismo do século 18, e não sobre um império antigo que durou mais de mil anos.

De toda forma, esse foi meu texto, sim um tanto curto mas é por que não tenho muito que falar sobre este livro mesmo ele sendo tão grande. Caso alguém queira saber mais sobre história romana eu irei indicar alguns canais, mas já aviso que todos são em inglês pois não conhece nenhum nacional bom.

Thersites the Historian: https://www.youtube.com/c/ThersitestheHistorian/featured
Historia Civilis: https://www.youtube.com/c/HistoriaCivilis
Invicta: https://www.youtube.com/c/InvictaHistory

Enfim, agradeço imensamente pela leitura!

Links para comprar o livro

Amazon:
https://www.amazon.com.br/Declínio-queda-do-império-romano/dp/8535907440

Estante virtual(usado):
https://www.estantevirtual.com.br/livros/edward-gibbon/declinio-e-queda-do-imperio-romano/782102317?livro_usado=1&b_order=preco&gclid=CjwKCAjw7cGUBhA9EiwArBAvoiaXhVkC0rdBb6SfOp9TAZTWAwnBkguEI1ly5-_t0T6TNrwWFIQ4JhoCdYkQAvD_BwE

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