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Rome: Total War - Barbarian Invasion

 


“War, in its fairest form, implies a perpetual violation of humanity and justice.”

Esse ano comecei a jogar um famoso jogo de estratégia conhecido como "Rome: Total War" que é um clássico do gênero e foi um dos jogos mais importantes da própria franquia Total War, sendo uma evolução gigante em comparação com Medieval:Total War em questões gráficas e de gameplay (e a sequência Medieval 2 traria ainda mais avanços). Como um fanático de história e de Roma Antiga (como puderam notar no primeiro post sem graça deste blog desconhecido) acabei me apaixonando pelo jogo, apesar de certos erros e mitos históricos presentes, e fiquei horas e horas nele. 

Apesar de eu ter amado o jogo...uma hora eu simplesmente me desliguei dele, a ideia de se criar um império e ser um conquistador lendário é atraente de fato, mas não sentia muita emoção jogando...não era culpa do jogo em si, mas havia algo faltando e eu não sabia dizer o que era. Na falta do que fazer eu decidi abrir as expansões do jogo, primeiro foi "Alexander" que como já deve-se imaginar gira em torno de Alexandre o Grande, mas eu acabei não gostando tanto desta expansão e raramente abro ela. Fui então na outra "Barbarian Invasion" que como o título sugere, tem como foco as invasões germânicas que atormentaram o Império Romano em seu período tardio. 

De início não me cativei tanto, mas quanto mais fui jogando (fazia algumas batalhas aleatórias) acabei me sentindo estranhamente atraído por ele. E quando decidi jogar uma campanha (no caso do Eastern Roman Empire) foi aí que me apaixonei pelo jogo, ainda mais que o próprio Rome.

Em primeiro lugar, peço que assistam a intro do jogo:
https://youtu.be/yPsCxEwCk08

Essa intro já diz tudo, EXATAMENTE TUDO que me fez ficar tão apaixonado por Barbarian Invasion. Ela é trágica, violenta, imperdoável e faz o jogador se inserir completamente na proposta do jogo:
De um lado temos os "bárbaros" que durante séculos sofreram nas mãos de um poderoso inimigo e sempre foram taxados de "culturalmente inferiores". Mas agora esse inimigo está fraco, seu território vulnerável e cheio de riquezas, e pronto para ser tomado.
E do outro temos os romanos, uma sombra do que foram no passado, passando por diversos problemas que vieram de dentro do império, agora precisa lutar pela própria sobrevivência contra diversos inimigos.

SOBREVIVÊNCIA é o que define Barbarian Invasion, não é um jogo sobre ser um grande conquistador, é um jogo onde seu principal objetivo é sobreviver. Mesmo as facções barbaras, não invadem os territórios romanos para serem conquistadores, invadem em prol da própria sobrevivência (a menos que você esteja jogando de hunos ou Anglo-Saxons). Barbarian Invasion é sobre CRIAR NOVOS IMPÉRIOS APARTIR DE VELHOS IMPÉRIOS é sobre mudança.

Tudo que acontece nesse jogo tem um peso maior, em Rome Total War sofrer uma derrota era algo aceitável e esperado, já aqui SOFRER UMA DERROTA NÃO É UMA OPÇÃO. Você perde muito com uma derrota, e pode até mesmo condenar sua própria facção ao declínio. 

Isso foi o que fez Barbarian Invasion ser mais atraente que Rome, eu ainda sou um completo fanático pela antiguidade, mas o período das invasões germânicas e transição de antiguidade para Idade Média é algo que por algum motivo me deixa mais emocionado, e por conta deste jogo passei a me dedicar mais em estudar esse período do que a própria antiguidade.

Para os fãs de Total War, sim eu sei que Attila: Total War é praticamente a mesma coisa com um gráfico e gameplay melhor, mas eu não tenho um pc gamer ultra fodão que rode o jogo. E sim eu sei que Barbarian Invasion é um jogo quebrado(irei falar mais disso mais tarde) e no final acaba sendo questão de saber como quebrar ele, sim eu sei EU SEI mas me deixa ser feliz.




 Começando do começo!! Barbarian Invasion se ambienta nos séculos 4 e 5 d.c. durante o período em que o Império Romano estava em declínio por conta de guerras civis constantes e imperadores incompetentes, ao mesmo tempo que mudanças climáticas (e Hunos) obrigam diversos povos a migrarem adentro do rico, mas vulnerável território romano. 

A gameplay do jogo é a mesma do jogo base com algumas adições que a meu ver tornam este jogo mil vezes mais interessante.

Hilário como aríete se move, mas esses caras ficam imóveis

Em primeiro lugar, o jogo dá mais foco na questão da religião, e por foco eu digo que você corre risco de perder uma cidade se não lidar bem com isso. O uso de templos já existia no jogo base, mas suas funções tinham mais relação com ordem pública e... sinceramente não mudava muita coisa. Em Barbarian Invasion escolher um templo não é só escolher qual deus vai ser mais adorado, é escolher a sua própria religião em si. Temos entre Cristianismo, Zoroastrismo e Paganismo(que é qualquer coisa que não seja os dois primeiros) e cada general vai ter a sua religião e isso pode influenciar na lealdade dele á sua facção, ao ponto de correr risco do general se rebelar. A ordem pública é mil vezes mais afetada do que no jogo base, chegando a ter conflito dentro das cidades por causa de religiões diferentes.


Como podem ver na imagem ruim essa cidade está sendo a DEFINIÇÃO DE CAOS por conta de religião

Primeiro irei falar sobre "Paganismo", ele varia de facção em facção quais deuses serão cultuados, até porque "paganismo" é qualquer religião que não seja cristianismo ou zoroastrismo, e de forma resumida as religiões pagãs influenciam muito no combate, como melhores equipamentos ou mais moral ou até arqueiros melhores. Mas ela é mais demorada de conversão e não lida muito bem com ordem pública como deveria, então requer certa paciência.

Em segundo lugar o tão famoso cristianismo, a melhor religião para ordem pública, sério. É uma religião que cresce muito fácil e é uma tarefa quase impossível desconverter uma cidade totalmente cristã. E seu ponto forte é justamente sua facilidade de conversão, portanto acaba sendo a religião preferível para quem quiser uma jogatina mais fácil. Claro que existem diferentes cristianismo como Catolicismo, Ortodoxia e Arianismo, mas em um geral a proposta acaba sendo a mesma.

E por fim Zoroastrismo, que eu particularmente não tenho muito que comentar já que não joguei muito com o Império Sassânida, mas pelo que pude entender do pouco que joguei é que tem um foco muito grande em crescimento.

Qual religião escolher? Bom algumas facções nem existe a opção de mudar de religião, mas quando for possível é recomendado que o jogador escolha a que quiser com base nos bônus que cada religião tende a oferecer no gameplay. 


Império Romano do Ocidente é a facção mais difícil de se jogar, como podem ver quando não é retorno financeiro inexistente é insatisfação pública ou ambos.

Uma adição incrível do jogo é as Hordes, e o que é uma Horde? Bom algumas facções, como forma de sobrevivência, podem se transformar em hordas, e isso é quando a facção não tem nenhuma cidade e precisa migrar. Algumas já nascem sendo hordas (hunos e vândalos) já outras (Goths e Sarmatians) podem virar. Um requisito para virar uma horda é ter apenas uma cidade no seu controle e nesse caso você pode (e ás vezes DEVE) escolher virar uma, ou quando sua cidade é tomada. Ser uma horda tem diversas vantagens, você não precisa gastar no abastecimento de suas unidades de combate, quando conquistar uma cidade você pode só saquear ela e ir embora(opção inexistente se você não for uma horda) e claro o mais importante, é difícil te derrotar. Além de que hordas tem unidades únicas que normalmente não podem ser recrutadas.
Horsemens são as unidas mais comuns de se ter em uma horda, quando a horda se instala em uma cidade todas as unidades únicas de uma horda desaparecem e viram parte da população local.

 Ser uma horda tem suas desvantagens, você não pode repor unidades perdidas e só pode recrutar mercenários (que vão estar recebendo dinheiro a cada turno e terão sua parte do saque quando for saquear um lugar), e claro a maior desvantagem de todas é: ENFRENTAR UMA HORDA É MUITO CHATO. Sério, o jogo já é quebrado e as hordas quebram ainda mais, existem várias pessoas na internet ensinando meios para se derrotar uma, e são meios específicos, e minha dica é simples.

NÃO ATAQUE UMA HORDA 


Hordas Hunas

Outra adição de gameplay são as Shield Wall, algumas unidades específicas possuem essa habilidade e ao executar ela essas unidades formam...UMA MURALHA DE ESCUDOS e têm suas defesas melhoradas e conseguem durar mais em combate, mas ela tem suas desvantagens como o ataque e movimento são reduzidos, então saber quando e onde usar acaba sendo algo que o jogador precisa aprender com o tempo. Já vi pessoas dizerem que a Shield Wall é uma versão inferior da falange do jogo base, e não sei dizer se concordo ou discordo.


Shield Wall executada por Saxons, uma das facções mais fortes do jogo

E claro, por último e não muito menos importante. Existem unidades que podem nadar em rios!! E já falo, Horse Archers acabam ficando muito chatos por causa disso...

Não vou comentar a respeito da trilha sonora pois é a mesma do jogo base...na verdade vou comentar sim que trilha sonora fantástica, apesar que seria interessante ter músicas novas para combinar com o setting novo.

https://youtu.be/U_vB6sMbRb4?list=PLCFkL_mbfwe3bx6Eim5VMIauSlq88T1Pf

Melhor música do jogo acima.

Bom, nem tudo são flores...vamos falar dos defeitos de Barbarian Invasion.

Escudos bugados são mais comuns do que aparentam

Como já falei no início, o jogo é quebrado igual Rome só que Barbarian Invasion consegue CHEGAR EM OUTRO NÍVEL. Muito da sua gameplay em campanha se baseia em ficar recrutando e dispensando tropas com o objetivo de tentar dar um jeito na ordem pública das cidades. Batalhas em pontes e rios continuam sendo apelonas se souber como lutar em uma, mas agora você tem a dificuldade de ter que lidar com unidades que podem e IRÃO nadar os rios. A IA continua...uma obra de arte, em qualquer batalha irá posicionar suas tropas EM UMA LINHA GIGANTE e irá avançar com o general de cara para suas linhas por algum motivo (sério eu não entendo o que a IA pretende conseguir fazendo isso).

O jogo não tem as introduções de facção que existe em Rome 1, o que é uma pena e sinceramente bem decepcionante, você apenas escolhe qual facção jogar e já inicia a campanha. Existe muitas facções que são mais do mesmo, muitas unidades que você verá de novo em outras facções (algo que já tinha em Rome 1 e claro que vai ter mas aqui é MAIS FREQUENTE DO QUE DEVERIA)o que acaba não dando tanta variedade no final, o jogo consegue ser mais bugado que Rome e às vezes crasha(felizmente isso não acabou sendo tão comum comigo, mas já vi muitas pessoas terem esse problema). 

E agora algo mais pessoal, odeio como Limitanei(soldados das fronteiras do Império Romano tardio) são retratados nesse jogo, a moral deles é baixa e fogem para qualquer coisa e decepcionam muito, sério já vi esses caras fugirem para CAMPONESES. E se for jogar de algum Império Romano eles são serão sua unidade mais comum de início...já aproveitando, mas os romanos possuem unidades com moral tão ruim que só aumenta a dificuldade de se jogar com eles. 


Limitanei, os soldados das fronteiras. Existe um mito de que eram péssimos soldados mal treinados, mas isso aos poucos têm sido desconstruido. 


E ainda tem o problema da diplomacia de Rome 1, continua quebrada como sempre e a IA ainda continua tendo uma admiração doentia por dinheiro e Map Information.




Sério, diplomacia nesse jogo é uma arte


Ok, qual facção eu recomendo?
Isso depende do que você quer jogar. Se for um iniciante recomendo muito jogar de Eastern Roman Empire(Império Romano de rico), Saxons e Huns. Se quiser um desafio maior ou já for um pouco experiente, pode ir direto para Western Roman Empire, que é considerada a campanha mais díficil de toda a franquia Total War(apesar que você pode QUEBRAR O JOGO)


Como podem ver modifiquei meu jogo para ter Romano-British jogável

Então amigos, é isso que tenho a falar. O jogo tem erros históricos grotescos e mitos que me irritam, mas é um jogo que amo muito e com certeza vou continuar jogando pelos próximos anos. É isso fui até a próxima!!

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