Normalmente se joga Clear Sky após Shadow of Chernobyl, mas eu o deixei por último por alguns motivos: o primeiro era que eu nunca tinha chegado a finalizar Call of Pripyat e queria tirar logo essa pendência, e o segundo foi que nessa jogatina nova de SoC eu fiquei tanto tempo jogando e explorando que a ideia de revisitar a mesma zona me deixou desanimada. Sendo honesta eu não tenho muitas lembranças da minha primeira jogatina de Clear Sky, além de que eu tenha gostado e não entendia muito o ódio que o jogo sofria, mas em partes imagino que tenha sido pelo fato de eu ter só jogado sem me preocupar em explorar o mundo ou ficar fazendo sidequests, coisa qu eu fiz dessa vez. Demorei para terminar esse pois eu descobri Vector of Alienation e fiquei jogando ele ao invés, e quando terminei o último e até escrevi um texto aqui, retornei a CS mas totalmente desanimada.
Eu re-joguei Clear Sky, com a ideia na cabeça de que era um jogo bom e injustiçado, mas eu estava enganada. E infelizmente eu digo: Clear Sky é um dos piores FPS que já joguei na minha vida.
Vamos começar falando o básico dos problemas desse jogo, são dois pontos essenciais que definem bem: o primeiro é que ele é frustrante, é um jogo difícil mas não do jeito feito certo igual Shadow of Chernobyl e Call of Pripyat fazem, mas sim do tipo que é feito para te irritar e tambem o injusto. O hitbox desse jogo é estranho, de início achei que era bug(o outro problema mas falo dele depois) mas aí eu vi vídeos que provavam que não era algo que acontecia somente comigo, eu falo de você atirar em partes do corpo dos inimigos e eles mal reagirem ou parecer que nem tomaram dano. Aconteceu muito de eu no começo do jogo atirar com uma espingarda na cabeça de um Bandit, duas vezes, e ele nem reagir ou morrer sendo que era para ser um hitkill. E eu tenho certeza que acertei pois foi a queima roupa mesmo, na frente do desgraçado. Eu acertava em braço e perna de inimigos e eles pareciam que nem tomavam dano, na reta final eu gastei dois pentes de uma Akaban na perna de um Monolith e ele ficar de boa. E também era comum os inimigos acertaram, a uma distância longa, tiros da pistola Makarov e eu morrer com poucos tiros, e até mesmo na reta final com um SEVA upado no máximo eu ainda morria para poucos tiros de uma. Além disso a colisão é esquisita também, muitas vezes fiquei travada em corredores e até impossibilitada de sair de um local pois tinha um NPC no caminho e era impossível passar do lado dele.
E a questão das armas, bom aqui é introduzido os Upgrades, que eu tanto amo e elogio em Call of Pripyat. Mas aqui é feito do pior jeito, e o motivo é que todas as armas, sem exceção alguma, são ruins pois a ideia é você ter que gastar com upgrades. Isso ficou claro quando adquiri o Dragunov, e ao testar ele nenhum tiro acertava onde eu mirava e indo em todos os lados e direções, até que eu gastei todo o meu dinheiro melhorando ele e finalmente virou uma arma decente. É importante notar que em Pripyat, também as armas são inferiores se comparado a Shadow of Chernobyl pelo mesmo motivo, mas lá não chega a ser tão extremo quanto aqui, e como falei lá é feito melhor. Outro aspecto que me incomoda nos upgrades é que os mecânicos pedem por flash drives que lhes permitem fazer mais melhorias, o que é interessante exceto pelo fato de que eu nunca achei esses malditos flash drives até eu descobrir que alguns são recompensas de quests, achados em inimigos aleatórios, e também achados em stashs que os barman do jogo vendem.
E algo que eu também achei ser bug, e de certa forma deve ser mesmo mas é uma situação que eu vi sendo repetida em outros vídeos, é que alguns tiros dos inimigos parecem que atravessam paredes. Você pode dizer que são balas que podem perfurar paredes, e faria sentido até eu matar esses inimigos e ao pegar a munição vejo que é do tipo padrão. De início achei que era algo que ocorria quando pegava cobertura em madeira, o que faz um pouco de sentido, mas isso se repetia em superfícies tipo metal ou concreto. Pode ser um bug, ou talvez mais uma das formas de fazer esse jogo mais difícil por parte da GSC.
E eu falei disso mais cedo, mas eu repito: a precisão dos inimigos. Chega a ser assustador como um bandit com uma Makarov tem mais precisão que você com um Dragunov melhorado no máximo em precisão. Mas o pior foi em Lake Yantar, minha parte favorita de Shadow of Chernobyl mas a mais frustrante e talvez a pior em Clear Sky, pois os Zumbis que, além de chegarem aos montes atirando, acertam todos os tiros que disparam. Eu joguei todos os stalkers, menos o 2, e uma parcela considerável de mods e eu nunca vi zombified Stalkers serem tão bons de mira quanto aqui e isso nem devia ser possível. E só piora pois a missão em Lake Yantar consiste em você tendo que ficar dois minutos matando hordas e hordas sem fim desses inimigos, até você ficar sem munição e não poder pegar mais pois surgem mais inimigos e não te dão tempo nem para pensar.
Okay, agora o segundo problema: bugs. Clear Sky é infame de ser o mais bugado de toda a trilogia original, até mais que o Shadow of Chernobyl sem patchs ou mods, e eu supostamente usei patch e mods que corrigiam 90% desses bugs, mas minha NOSSA SENHORA! NPCs importantes desaparecerem, inimigos surgirem do nada, IA desligando, psi-emission que ficou comigo por duas horas e não ia embora mesmo com eu resetando o jogo e mudando de lugar, itens sumindo do inventário e reaparecendo magicamente e por fim o que mais me frustrou e me fez arrancar cabelos, um que aconteceu também em Vector of Alienation. Mas chegando em Limanski eu não podia morrer e nem dar load, pois o jogo crashava e isso continuou até a Usina de Chernobyl. Eu fiquei quatro longas horas decorando posição de inimigos, jogando da forma mais precavida possível e até jogando item importante fora para poder correr melhor, até que enfim eu terminei o jogo. Pois se eu morresse na Usina por exemplo, tinha que voltar para meu save pré-Limanski.
Mas sem esses dois problemas, o jogo seria bom? No máximo, seria um jogo mid para mim. Clear Sky reutiliza os mesmos cenários do jogo anterior, com alguns novos que são tenebrosos de ruins como o Swamp, uma vez que saí de lá nunca mais voltei. E Limanski parece ter saído direto de um jogo de Call of Duty, pois o visual e até mesmo a progressão dessa parte como um todo remete muito a um FPS de Segunda Guerra Mundial, que era o que vendia muito nessa época. É meio óbvio que Clear Sky quis ser um jogo mais focado em combate, sua Zona é a mais "viva" de toda a franquia pois tem NPC em todo canto, mas eles estão em guerra com alguém por conta da mecânica que destaca esse jogo: Faction Wars.
E o que é isso? Uma as mecânicas mais ousadas e únicas que já vi em um jogo, mas que infelizmente é quebrada e só funciona no papel. Basicamente quando você entra em alguma facção, ela está em conflito com outra como "Duty vs Freedom", e você deve fazer missões específicas como conquistar e defender pontos estratégicos e causar o maior número possível de baixas na facção inimiga. Começamos com o conflito "Clear Sky vs Renegades", e aqui eu vi um pouco do potencial disso, mas também suas falhas.
O que eu gostei: essa mecânica me fez sentir como um uma pessoa qualquer cujas ações não impactavam em nada, conflitos entre npcs aliadas e inimigas ocorriam independente de eu estar por perto, e aliados podiam cumprir objetivos sem minha ajuda e também pontos estratégicos poderiam ser tomados pelo inimigo e eu não podia fazer nada a respeito. Eu fiquei em choque quando ia até o objetivo, só para descobrir que alguém já o realizou por mim! E eu fiquei sem recompensa...
Mas, quando fui brincar com isso mais tarde veio a revelação, essa mecânica só funcionou no começo. Quando fui brincar disso, entrei na minha facção favorita: Freedom. E não foi uma experiência divertida, pois eu notei que o equipamento dos meus npc aliados era inferior, eles usavam pistolas e espingardas de baixa categoria, enquanto os soldados da Duty tinham armas muito boas e até mesmo com upgrades, e a IA dos meus amigos também parecia ter sido nerfada pois ficaram burros! Eu dei load, e entrei na Duty e foi a mesma coisa, um mano de Exoesqueleto usando uma Makarov contra um desgraçado de SIG 550 com mira e lança granadas. Mas se fosse só isso, mas lembra que falei dos pontos estratégicos? O jogo exige que eu esteja em todos ao mesmo tempo, pois a IA aliada não consegue defender eles, por conta do equipamento inferior, ser burra e por estar sempre em menor número. Inimigos chegavam em grupos de 5-6 enquanto meus parceiros em grupos de 1-3, o que é engraçado pois no conflito de Clear Sky e Renegades não era assim, parecia muito que só esse em específico tivesse sido trabalhado de verdade.
Ou seja, a Faction Wars não funciona.
Então, temos um jogo frustrante e bugado com uma mecânica ambiciosa que não funciona? Sim. Apesar da qualidade dele melhorar quando conseguimos armas melhores e realizar melhorias, como uma Akaban ou SIG 550, e aí a coisa muda. O jogo fica mais divertido, os confrontos com inimigos ficam menos frustrantes e bem mais tranquilos. Mas já aviso que é perca de tempo melhorar pistolas, mesmo que seja uma muito boa tipo uma Beretta, pois mesmo com tudo nelas melhorado você ainda sofre para matar mutantes.
Okay, e quanto a história? Péssimo, a proposta era ser uma prequel de Shadow of Chernobyl mas você sente que esse jogo falha nisso: só o final é relevante, e sendo sincera nem isso é feito direito. Scar é o protagonista mais foda-se da trilogia, eu tentei gostar dele mas ele não tem graça alguma. E eu fico triste pois, eu amei a facção Clear Sky e virou uma das minhas favoritas, são cientistas que lutam e tem uma vibe bem mais ambientalista, mas eles não brilham no jogo que tem são introduzidos. Tudo que acontece nesse jogo fui eu, eu fiz tudo sozinha e eles só estavam ali atirando no nada. Fico feliz de ver que em mods da comunidade eles têm o destaque que merecem.
O que fazia Shadow of Chernobyl ser bom? Era um jogo que nunca te dava a mão, e te jogava nas situações sem te explicar muito, você morre bastante no começo mas isso só torna seu progresso mais satisfatório. Quando você aprende que Stalker não é seu tipo fps, e você deve pegar cobertura e ir avançando aos poucos, o jogo melhora muito!
O que torna Call of Pripyat bom? Ele é uma melhoria em tudo, um verdadeiro avanço em tudo que foi estabelecido até então. É uma Zona melhor feita, com quests incríveis e bem pensadas, com recompensas que fazem valer todo o esforço e dificuldade. Um jogo com muitas possibilidades, onde tu sente um verdadeiro progresso enquanto avança e não só você melhora suas habilidades, mas como seus equipamentos e relações.
Clear Sky tenta introduzir muita coisa interessante, mas não faz isso direito. Mesmo as coisas positivas são feitas do pior jeito possível, e não ajuda que a GSC quis tornar esse jogo frustrante, o que honestamente para mim é o maior problema. Bugs são comuns, mesmo quando fodiam minha experiência eu acho isso perdoável, mas quando o próprio jogo em si é FILHA DA PUTA, eu já não posso perdoar. Esse jogo vai contra tudo que Shadow of Chernobyl estabelece, e que felizmente é resgatado e melhorado em Call of Pripyat.
Eu sinto muito Clear Sky, mas toda crítica que você recebe não é injustificado.
Beijos da Gisele




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